Jonas Mekas, 2013

“Eu não sou cineasta, mas um ‘filmador’”, diz Jonas Mekas, o cineasta de origem lituana que é, há sessenta anos, o maior símbolo da vanguarda de cinema norte-americana. Jonas Mekas filma desde 1949, ano em que chegou aos Estados Unidos  depois de passar alguns anos em displacement camps” – como ficaram conhecidos os campos que depois da Guerra acolheram os prisioneiros libertados pelas forças aliadas e que então não podiam voltar aos seus países de origem. Em Nova York, cidade onde se estabelece, ele filma breves momentos do seu cotidiano, de sua vida na cidade: momentos de alegria, de celebração, na natureza ou entre amigos. Deliberadamente evita os grandes temas e se volta sobretudo para os eventos diários, aparentemente insignificantes, de onde extrai breves instantes de beleza fugidia. Com um estilo inconfundível de filmar, conquistado ao longo de anos usando a mesma câmera, ele registra aqueles que lhe são próximos: Allen Ginsberg, George Maciunas, Andy Warhol, Yoko Ono, John Lennon, The Velvet Underground, Ken Jacobs, Jackie Kennedy e seus filhos, dentre outros. Filmar é um hábito, uma prática que ele leva ao longo da vida.

 

Enquanto filma, Mekas se dedica a uma série de outras atividades em defesa do cinema de vanguarda americano e que lhe valeram a alcunha de “parteira do underground”: a revista Film Culture, a coluna Movie Journal, no jornal independente Village Voice, a Film-Maker`s Cooperative, centro de distribuição do cinema independente e mais tarde, e o Anthology Film Archives, espaço para preservação do cinema de vanguarda e experimental. Essa programação inclui todos os seus filmes-diário, referência incontestável para o cinema autobiográfico, mais os retratos, elegias e registros dos amigos que marcaram a cena de vanguarda nova-iorquina. Completa a mostra cinco programas do Essential Cinema, coleção do Anthology Film Archives criada por um comitê composto por Jonas Mekas, James Broughton, Ken Kelman, Peter Kubelka e P. Adams Sitney e que pretendia “definir a arte do cinema”, ao reunir os principais “monumentos do cinema como arte”. A coleção foi interrompida em 1975 quando já contava com 330 títulos.